O consumo de produtos feitos no RS ganhou força nos últimos anos e passou a ocupar lugar estratégico na dinâmica econômica do Estado. Após as enchentes que atingiram a região, a valorização do que é produzido localmente deixou de ser apenas uma questão de identidade e passou a ser compreendida como instrumento de fortalecimento econômico. A análise é do Sebrae RS, que acompanha o comportamento dos pequenos negócios e os reflexos desse movimento no mercado.
De acordo com a coordenadora de mercado digital e franquias do Sebrae RS, Jociane Ongaratto, a mudança se intensificou quando o consumidor passou a enxergar o impacto concreto de suas escolhas. "Quando a gente compra um produto daqui, ajuda a manter a renda, gerar emprego e sustentar as cadeias produtivas do Estado", afirma. Para ela, a enchente evidenciou essa conexão e reforçou a percepção de que o consumo local é uma forma direta de contribuir para a recuperação econômica.
Os números ajudam a dimensionar esse cenário. Quase 60% das novas contratações formais registradas no país no último ano foram geradas por micro e pequenas empresas. Em 2025, cerca de 97% das empresas abertas no Brasil se enquadraram nesse porte, e a maior parte das empresas ativas está inserida no Simples Nacional. Esses dados, compilados com base em informações da Agência Sebrae de Notícias (ASN), confirmam o papel estrutural dos pequenos negócios na geração de emprego e renda.
Ao priorizar marcas e produtores locais, o consumidor movimenta um ciclo que envolve pagamento de salários, recolhimento de tributos e contratação de fornecedores. "Esse recurso retorna para a própria economia e ajuda o Estado a se reestruturar, especialmente em momentos de crise", explica Jociane. Na avaliação dela, trata-se de um movimento que tende a se consolidar justamente porque conecta decisão de compra e desenvolvimento regional.
O ambiente digital também tem ampliado o alcance desse comportamento. Mesmo em grandes plataformas de marketplace, muitas vezes, o fornecedor está na mesma cidade ou região do comprador. Para a coordenadora, o e-commerce atua como catalisador do consumo local ao permitir que pequenos empreendedores ultrapassem barreiras geográficas. "O digital possibilita que a marca mostre sua origem, seu propósito e crie conexão com clientes que, comumente, nem conhecem fisicamente o negócio", observa.
A presença online, no entanto, ainda representa um desafio para parte das micro e pequenas empresas. Questões como digitalização, logística e concorrência por preço nos marketplaces exigem preparo e estratégia. Ao mesmo tempo, surgem oportunidades ligadas à produção de conteúdo, ao uso de influenciadores e à expansão estruturada dos negócios. "Se as empresas combinarem propósito com presença digital e escolherem bem seus canais de venda, esse movimento pode se transformar em vantagem competitiva", conclui Jociane.