A Fecomércio-RS lançou a primeira rodada anual da Sondagem do Segmento Atacadista. Os dados coletados junto a gestores de estabelecimentos do ramo atacadista permitem captar as principais percepções desses tomadores de decisão, evidenciando o cenário atual do segmento. A sondagem foi realizada entre os dias 05/03 e 24/03, entrevistando 385 estabelecimentos selecionados aleatoriamente no estado do RS.
Entre os entrevistados, 64,2% tinham mais de 10 anos de atividade, 46,2% eram atacadistas comerciais, isto é, revendiam produtos diversos, sem vínculos com marcas específicas, e 22,6% se dedicavam à venda de produtos alimentícios e bebidas. Entre as empresas participantes, 31,7% possuíam mais de 10 pessoas trabalhando e 43,9% eram pequenas empresas.
Quando perguntados sobre a situação financeira atual da empresa, 47,8% reportaram a situação como boa ou muito boa, 40,3% afirmaram que era regular e 11,9% a classificaram como ruim ou muito ruim. Entre os entrevistados, 53,8% afirmaram que o endividamento era baixo, 30,4% afirmaram que o nível era moderado, 12,1% disseram ser alto e, para 3,8%, crítico. Entre as operações financiadas via crédito comercial, destaque para a compra de mercadorias (74,5%). Já entre as operações financeiras, destaque para a tomada de crédito para capital de giro (49,7%).
Quanto ao desempenho das vendas nos últimos 6 meses, 41,6% classificaram como regular, 34,7% como bom/muito bom/excelente e 23,9% como ruim. Para 58,4% dos entrevistados, as vendas não atingiram suas expectativas, enquanto para 37,4% as expectativas foram atendidas e, para 4,2%, superaram as expectativas. A respeito dos principais entraves, no âmbito interno dos estabelecimentos destacaram-se a gestão de equipes (37,1%) e a gestão financeira (30,9%), seguidas do planejamento estratégico (30,6%). No âmbito externo, destaque para a carga tributária (68,1%), dificuldade de contratação de mão de obra (29,4%) e aumento de custos logísticos no estado (27,8%).
Quanto às expectativas, 47,8% esperam alguma melhora e 19,2% ainda esperam piora do cenário. "Apesar das circunstâncias atuais de desaceleração econômica e juros elevados, os atacadistas permanecem otimistas", comentou o presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn. A tendência, porém, é que não haja espaço para ampliar o quadro de funcionários nos próximos meses, com 63,1% afirmando que deve permanecer o mesmo. Como as pretensões de contratação costumam se relacionar com as de investimento, menos da metade (45,7%) espera realizar investimentos no negócio nos próximos 6 meses.
Esta edição conta também com a visão do setor sobre possíveis impactos remanescentes da tragédia climática que assolou o estado em maio de 2024. A maior parcela dos atacadistas (59,0%) relata ter sido impactada de alguma forma pelas cheias. A sondagem identifica que ainda mais da metade dos entrevistados (67,8%) não estava plenamente recuperada até o momento da pesquisa. Muitos negócios continuam impactados em função da crise, com destaque para a redução de faturamento (63,0%), perda de clientes (53,2%) e dificuldades financeiras (33,1%).