Selic em 15,00%
Comentário do presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn
“Sem surpresas, o Copom decidiu pela manutenção da Selic em 15,00% a.a.. Com isso, operamos atualmente com uma taxa de juros real em cerca de 11,00% a.a..
A questão central que a sociedade precisa se colocar diz respeito às razões estruturais que explicam a persistência de juros tão elevados no Brasil. A resposta reside, fundamentalmente, no desequilíbrio crônico das contas públicas, somado à crescente participação do crédito direcionado no sistema financeiro.
Em 2026, estima-se que cerca de 1,0 ponto percentual do crescimento decorra de impulsos fiscais ou parafiscais promovidos pelo governo federal. Paralelamente, a dívida pública aproxima-se de 80,0% do PIB, apresentando uma trajetória de crescimento incompatível com a sustentabilidade intertemporal das contas públicas.
O absurdo decorre do fato de que as metas fiscais têm sido cumpridas. O custo desse arranjo é a manutenção de juros estruturalmente elevados, que comprometem o investimento e a atividade produtiva no país.
Adicionalmente, o crédito direcionado, que representava 40,2% do total do saldo de crédito em dez/22, alcançou 42,8% em nov/25. Essa expansão reduz a eficácia dos instrumentos tradicionais de política monetária, exigindo taxas básicas mais elevadas para produzir o mesmo efeito contracionista. No médio e longo prazo, isso reforça a tendência de juros persistentemente altos na economia brasileira.”